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Joselito Müller | Jornalismo Destemido
Joselito Müller | Jornalismo Destemido

“Hegel (não Engels) se orgulharia de Manuela Dávila” ou “O iPhone Soviético” – Um texto sincero

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Desde que anunciou a pré-candidatura à presidência da República Federativa do Brasil, a gaúcha Manuela Dávila, do Partido Comunista do Brasil tem dado, em suas entrevistas um patético espetáculo de platitude e estultice, haja vista que deve ter se dado conta, tardiamente, é bem verdade, do quão ridículas são as posições defendidas por sua pessoa e seu partido.

A agremiação que, pasmem, hodiernamente tem a desfaçatez de defender o regime responsável pela morte de mais de cem milhões de pessoas, tem coragem de relacionar tal genocídio com “a esperança de construir um mundo melhor” e justifica, como fez a pré-candidata, que “no tempo de Stalin o mundo vivia em guerra”, ignorando o considerável número de civis que o georgiano matou em tempos de paz dentro da própria União Soviética.

Questionada recentemente em entrevista no Canal Livre, da Band, sobre a surreal “Nota de pesar”, que a direção de seu partido publicou por ocasião do falecimento de Kin Jong Il, pai de Kin Jon Un, Manuela falou, em síntese, que não cabe ao partido se intrometer em assuntos internos de outros países.

O pior, no entanto, foi quando, ao ser questionada sobre o fato de o PCdoB jamais ter feito uma auto-crítica a respeito dos crimes do PT, alegou que “ética não é um assunto que deva ser debatido durante a campanha presidencial”.

Mediante a insistência dos entrevistadores, Manuela disse “que ética não é algo que se busca para si, mas se pratica”, e finalizou dizendo que “quem tem que se pronunciar é justiça”.

O falecido dirigente de seu partido, Diógenes Arruda Câmara, autor da esdruxula brochura “A educação revolucionária do comunista” se revirou no túmulo nessa hora, pois segundo ele, “A crítica e auto-crítica é o método de avaliação da conduta do Partido”.

O contorcionismo para fugir das perguntas diz muito sobre a candidata e sobre seu partido.

Não é novidade as críticas implacáveis que tanto ela, quanto seus correligionários fazem contra adversários mediante a mais singela suspeita.

Contra eles, não é aplicado o princípio segundo o qual “quem deve se pronunciar é a justiça”.

Há que se observar, por outro lado, que a citação acima, ainda que fosse aplicada com coerência, evidenciaria um raciocínio galináceo, para dizer assim, uma vez que confunde julgamento ético com julgamento legal, como se a aplicação de um juízo de valor dependesse de uma pretérita manifestação da justiça.

É como se o critério moral a ser adotado por uma sociedade fosse a jurisprudência, consagrando o Estado como parâmetro máximo da moral de uma época.

Hegel ficaria orgulhoso dessa menina prodígio, não fosse o fato dela própria, diante de decisões judiciais que a desagradam, apontar seu dedinho em riste a acusar perseguição política por parte do Judiciário.

Fato, é que Manuela não tem medido esforços para dissimular que Sua Excelência e seu partido permanecem na condição de satélites do PT, apesar das bandalheiras cometidas por muitos dirigentes desta última agremiação.

Manu não tem seguido a risca o que Marx e Engels disseram no Manifesto Comunista, segundo o qual “os comunistas não se rebaixam a dissimular suas opiniões e seus fins. Proclamam abertamente que seus objetivos só podem ser alcançados pela derrubada violenta de toda a ordem social existente”.

Os autores do Manifesto devem estar se revirando nos seus respectivos túmulos, pois a comunista em comento, ao contrário do que disseram seus mentores, tem agido como se seu objetivo de disputar a presidência da República só fosse exequível justamente mediante dissimulação de suas verdadeiras opiniões e fins, sobretudo quando se refere aos crimes de seus aliados.

Nada disso, no entanto, surpreende, pois honestidade intelectual de comunista é igual iPhone soviético: não existe.

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