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Joselito Müller | Jornalismo Destemido
Joselito Müller | Jornalismo Destemido

Conheça a comovente história do jovem que, graças ao crack, superou o vício em maconha

CRACOLÂNDIA – Já era quase onze horas da manhã quando Caroço, jovem de 37 anos, levantou de sua cama improvisada de papelão, armada numa calçada debaixo de uma marquise, numa área considerada nobre para os parâmetros da cracolândia.

Aqui é o metro quadrado mais caro da cracolândia, porque ficam debaixo da marquise”, diz orgulhoso.

Apesar da hora avançada, Caroço vai sem pressa para o trabalho sem fazer o desjejum.

Ficará catando material reciclável até ter o suficiente para comprar um crackezinho em vez de comida, embora confesse que esteja com fome.

Vou esperar o sopão que os crentes distribuem de noite”, confessa.

Quem o vê, não imagina que sua vida há alguns meses quase fora destruída pelo vício em maconha, o que era agravado pelo fato dele ser aluno do curso de ciências sociais da Universidade Federal de Lapão Roliço.

Comi o pão que o diabo amassou, mas graças ao crack consegui me livrar da maconha”, revela.

Ele conta que sua família já estava preocupada com seu antigo vício, pois, segundo ele próprio, “só queria ficar fumando maconha e indo para as assembleias estudantis falar mal da sociedade de consumo, onde os capitalistas exploram os trabalhadores. Como isso me tomava o dia todo, eu não arrumava tempo para trabalhar, então minha mãe pagava minhas despesas com a aposentadoria que ela recebe do INSS”.

A vida de Caroço mudou quando ele, graças a uma ONG, começou a fazer uso medicinal do crack.

Graças ao pessoal da ONG e ao crack eu sou uma pessoa recuperada hoje em dia”, diz.

O exemplo de Caroço tem servido para que defensores da legalização do uso medicinal do crack fortaleçam seus argumentos.

Espero que um dia não só o uso medicinal, mas também o uso recreativo do crack seja liberado e que também o governo passe a distribuir gratuitamente”, devaneia no rapaz.

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