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Sidney, Austrália –  A passageira Mun Yee ralata com detalhes os momentos terríveis que passou em um voo que a levava de Cingapura para Austrália no último dia 12:

Querido passageiro do 15-A,

Você não me conhece mas eu estava sentada a sua frente durante o voo de Cingapura para Sidney em 12 de abril.

O que parecia ser apenas um simples vôo se tornou uma experiência única na minha vida – e tudo por sua causa.

Estou escrevendo esta carta para agradecê-lo pessoalmente.

Por ser asiática, um tanto quanto pão-dura, não paguei pelo assento próximo a saída de emergência.

Apesar de ter mais espaço para minhas pernas, não gostaria de ser incomodada e obrigada a ler os procedimentos de emergência. A última coisa que eu queria é causar qualquer problema para as vidas dos inocentes passageiros, somente porquê eu não sei como abrir a porta do avião.

Apesar do assento econômico que escolhi, você me ofereceu uma massagem completa chutando as minhas costas repetidamente. Ainda hoje não recuperei os movimentos da parte inferior do meu corpo. Mas, como sou solteira, eu não uso essa àrea inferior, não é mesmo?

Não paguei pelo pacote de entretenimento no voo e estava preocupada se ficaria entediada. Mas, minhas preocupações foram desnecessárias, pois você fala tão alto que por um momento pensei que sua amiga estava no compatimento de carga, e não ao seu lado.

Talvez ela tenha alguma dificuldade de audição? Pode parecer estranho, mas pela primeira vez na minha vida eu desejei ser surda.

Poderia me dizer onde você comprou aqueles salgadinhos? Imagino que são deliciosos, pois você abria um pacote a cada 30 minutos. Obrigado pelos ruídos de mastigação incessantes!

Neste ponto, eu pensi comigo: “Pior do que está não fica.” Mas, parece que você ouviu meus pensamentos e fez com isso um desafio.

Imediatamente meu nariz foi invadido por um cheiro horrível de morte e podridão.

O cheiro era tão insuportável que eu tive que verificar se a senhora ao meu lado ainda estava viva e respirando.

Foi muito gentil de sua parte tirar seus sapatos e por seus pés entre minha cadeira e a janela do avião. Deve ter sido difícil e trabalhoso, colocar seus pés naquele espaço tão apertado e ainda por cima tão perto do me rosto. Mas você conseguiu.

Sua gentileza foi comovente.

O sol está surgindo acima do horizonte. O céu tem cores tão lindas, um azul misturando com dourado. Mas eu não posso me virar para admirar este espetáculo, pois cada vez que me viro, sinto o cheiro do ânus do capeta.

Tentei até baixar a máscara de oxigênio, mas só veio até a metade do caminho. Nesse momento parei de tentar, pois lembrei que por ser uma linha aérea dessas mais baratas, eles iriam me cobrar por uso de qualquer recurso extra.

Sabia que essa experiência me tornou uma pessoa mais religiosa?

Rezei mais nesse voo do que em toda minha vida.

Não sabia se pedia a Deus por mais força pelo resto da jornada ou,

se pedia a Nossa Senhora da Misericórdia, para que acabasse logo esse sofrimento!

 

Essa experiência foi tão memorável que estou escrevendo isso direto do consultório do meu terapeuta. Também reservei algumas sessões para falarmos sobre isso.

Obrigado mais uma vez.

Vai te catar,

Passageira do 14-A

Carta aberta escrita por Mun Yee - http://iaremunyee.com/
Carta aberta escrita por Mun Yee – http://iaremunyee.com/

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