BRASILIA –  Diante da desestruturação econômica do país, o governo federal está incentivando seus súditos a adotarem novas práticas de higiene pessoal.  Banhos quentes, sabonetes perfumados e rolos de papel higiênico podem se tornar, em breve, relíquias do passado no Brasil.

Em algumas regiões, a população já está optado pelo banho frio ou até com água de chuva devido aos altos custos dos serviços públicos.  Em outros casos, a inflação não permite mais a compra de sabonetes ou a descarga regular do vaso sanitário.

Nesse contexto, foi lançada hoje uma iniciativa inédita do governo sobre a regulamentação do uso do papel higiênico no país.  Antecipando a escassez do produto em âmbito regional, o porta-voz do Ministério da Saúde, doutor E. Coli, afirmou que “o papel higiênico, inventado no final do século 19, é uma instituição burguesa eurocêntrica que precisa ser humanizada. O estado brasileiro pretende revolucionar o uso dessa tecnologia imperialista para fins sociais, como tem sido feito na Venezuela com grande sucesso.”

A partir de maio, todos os brasileiros e residentes em território nacional serão limitados a  apenas uma folha por pessoa por semana.  Esta folha, entretanto, incorpora uma nova tecnologia desenvolvida nacionalmente: um furo no centro por onde passa o dedo do usuário.  Após o uso, o interessado poderá, se quiser, lavar o dedo e reusar a folha inúmeras vezes.

A iniciativa foi anunciada com grande entusiasmo no Planalto, onde chegou a ser caracterizada como um exemplo histórico da representatividade dos governantes e até a solução para a anomia brasileira. “Após a retirada dos cabides, já incorporamos esta nova tecnologia do papel higiênico furado na Presidência” disse Marco Aurélio Garcia, assessor que parou de cumprimentar os outros com um aperto de mãos nos últimos dias.

“A função social do papel higiênico, como previsto explicitamente na Constituição de 1988, é a de limpar os traseiros da população, o que é muito importante”, disse a presidente Dilma Rousseff em entrevista no programa televisivo “Limpando com a Presidenta”.  “Mas, veja bem”, acrescentou a Plenipotenciária, “nós não podemos abusar das Cláusulas Pétreas porque esses direitos são meras sugestões. Por isso, precisamos repensar o uso deste recurso estratégico”.

Também presente no programa Limpando com a Presidenta, o deputado Jean Wyllys, líder da Bancada do Botão no Congresso, acrescentou que “a limpeza dos fundos é um direito fundamental e muito importante para nossos projetos. Estava muito frustrado porque, até hoje, esta importante reforma não saía do papel”.

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Joselito Müller é um personagem fictício que retrata as notícias do cotidiano. Numa classificação, seria um super-herói defensor dos… Defensor de nada, Joselito Muller é um personagem fictício que faz paródia de figuras públicas em situações cômicas. Nada é neste site é verdade, mas poderia ser. Além do charme, Joselito Müller é um competente jornalista, pioneiro no jornalismo de ficção brasileiro. Foi eleito três vezes consecutivas como um dos maiores filhos da puta da América Latina, além de ter sido indicado para o Pulitzer de reportagem mais escrota em 2013 e 2014.

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