SÃO PAULO – A Parada do orgulho Gay, que reuniu milhares de pessoas em São Paulo no último domingo foi marcada por inúmeros incidentes, tais como supostos furtos de celulares de participantes do evento.

O ocorrido tem dividido opiniões nos meios progressistas, ensejando acalorados debates à luz do marxismo-leninismo, sem no entanto, que se tenha chegado a um consenso até o presente momento.

Segundo a ilustre filósofa Marilena Chauí, “o ponto fundamental da divergência reside no fato de que: 1º – os autores dos supostos furtos são pessoas de classes menos favorecidas que não tiveram acesso à educação pública, gratuita e de qualidade, o que as relegou a permanecerem em condição social desfavorável, tornando-os mais vulneráveis à prática de delitos, tais como pequenos furtos, homicídios, assaltos a bancos e desvios na Petrobrás.”

Ela prossegue dizendo que, “por outro lado, as vítimas são gays, lésbicas, transexuais, travestis, transgêneros, bissexuais e até mesmo trissexuais, ou seja, setores historicamente descriminados pela sociedade machista ocidental, que antes dos governos de Lula e Dilma não tinham condições de possuírem bens, como iPhones, por exemplo.”

A jornalista Cynara Menezes acredita que “quem foi vítima de furtos pagou de trouxa, pois que não quiser ser vítima de furtos, não deve sair de casa, ou se sair, não dev levar celulares.” cynara

A opinião se assemelha à do bloguista Leonardo Sakamoto, segundo quem “ostentação deveria ser crime previsto no Código Penal. Então a culpa é de quem estava ostentando iphones em plena praça pública, num país onde milhões de pessoas não têm o que comer, embora reconheçamos os méritos do Bolsa Família e do Fome Zero.”

Já outros setores que atuam em defesa de minorias acreditam que “pensar dessa forma é criminalizar a vítima, o que evidencia o caráter homofóbico dos furtos, que não podem ser comparados com ações de justiça social, como os roubos a homens brancos, heterossexuais e ricos.”

Longe de ser dirimida, a divergência se os furtos ocorridos na Parada Gay foram atos de justiça social e homofobia ainda vai dar muito o que falar. “É uma discussão de bastante relevância social e filosófica”, diz Marilena Chauí, enquanto folheia uma antiga edição de “Ludwig Feurbach e o fim da filosofia clássica alemã”.

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