Não é de hoje que as vanguardistas propostas de autoria da deputada federal Maria do Rosário são objetos de piadinhas de mal gosto de setores reacionários e conservadores.

Tais setores, apegados ao ultrapassado conceito segundo o qual legisladores têm que pensar, ignoram propositalmente o viés progressistas dessa parlamentar que, oriunda das plagas sul-rio-grandenses, abrilhanta o parlamento da República com projetos à frente de nosso tempo, tais como o que criminaliza o “travesticídio” – isso para ficar só neste exemplo.

A sessão de hoje da câmara dos deputados foi marcada por infelizes apartes de porta-vozes dos setores mais atrasados do parlamento, por ocasião do pronunciamento da deputada gaúcha, que discorria sobre o absurdo que significa a redução da maioridade penal.

A proposta de redução da maioridade penal, aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça da casa, foi duramente criticada por Maria do Rosário, que afirmou, entre outras coisas, que “cadeia não resolve o problema da criminalidade e a redução da maioridade penal é, em verdade, criminalização da juventude”.

Para ela, “Ao longo do último período, nós vivenciamos uma ideia falsa de responsabilização da juventude por todas as violências que ocorrem no país. Nós não podemos ceder a essas falsas soluções ou a essas falsas questões sobre a violência no país” — disse a deputada, acrescentando que o debate sobre a violência é complexo.

Durante sua fala, a deputada foi aparteada por um membro da oposição – que nem merece ter o nome citado, para não promovê-lo – que perguntou à petista o que era mais grave: fazer “piadinhas de bicha, ou matar”.Maria tenta explicar sua tese para o cachorro

Rosário retrucou que ambos são crimes abjetos, mas matar é pior.

A parlamentar foi replicada com o argumento de que, “segundo a legislação atual, caso um menor cometa um homicídio ou um estupro, o tempo máximo de internação é de três anos, ao passo que o projeto de lei de autoria de Vossa Excelência (Maria do Rosário) prevê perna de até seis anos para quem fizer piadas “em razão de classe e origem social, condição de migrante, refugiado ou deslocado interno, orientação sexual, identidade e expressão de gênero, idade, religião, situação de rua e deficiência. Isto quer dizer que até piadas de mendigos serão criminalizadas”, argumentou o deputado, acrescentando que, “como a pena para tal “crime” é o dobro da medida de internação a qual um menor pode ser submetido caso mate alguém, a piada tá sendo considerada mais grave que o assassinato.”

Maria do Rosário, que defende que a legislação referente aos crimes cometidos por menores de 18 anos permaneça inalterada, permaneceu por alguns segundos revirando uns papéis que levou consigo à tribuna, enquanto afirmava que “o argumento é falacioso… Isso viola o direito de delinquir da juventude, que é assegurado por cláusula pétrea na Constituição” e, após se calar por alguns segundos, ignorando pedidos de apartes de outros parlamentares, falou para o presidente da sessão que havia esquecido de colocar ração para seu cachorro e por isso precisaria ir para casa imediatamente.

Rosário saiu sem falar com a imprensa, segurando uma edição do Estatuto da Criança e do Adolescente autografada pelo ex-presidente Collor, que o sancionou.

Ela foi flagrada horas depois conversando com seu labrador em uma praça nas imediações da Câmara Federal.

Fontes não cem por cento confiáveis informaram à nossa redação que a pauta da conversa com o cachorro era justamente o Estatuto da Criança e do Adolescente.

1 COMMENT

  1. Acho que deveria haver criminalização do travesticídio, do boiolicídio, do sapatonicídio e do afrobrasileiricídio. E os que fizessem piadas homofóbicas deveriam ser obrigados a assistir a um curso sobre a reprodução pelo sistema excretor que incluísse noções sobre partos humanizados para travestis.

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